sexta-feira, 29 de setembro de 2017

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SONHO MORFEU
Ricardo Narciso da Rocha

Noite estrelada e unicamente eu preciso muito vislumbrar
A flor que eu escolhi nas horas que passam eternamente...
Um amor que encontrei em um sonho navegando nas ondas do mar
E nesse divagar de sonhos-pensamentos, clarificam a mente
Os relâmpagos de um aluvião...  Iluminam-te num pomar.

Pomar das macieiras, dos morangos, das parreiras verdejantes
Com suas uvas verdes esmeralda que brilham incessantemente.
E eu entorpecido nesse sonho mórfico, escabroso e agonizante
Vejo-te correndo por entre as folhas e frutos ininterruptamente,
Procuro-te e te encontro dentro dos teus olhos deslumbrantes.

Olhos com as íris dilatadas, fixadas nas fendas do meu nariz,
No ínterim de tempo e no espaço em que vaga lentamente
A sua alma que saiu decrépita no futuro que decerto feliz.
Deixei as minhas mãos atravessarem seu cabelo piamente,
Resolutivo e já entregando para Deus a amada Flor de Liz.

- Oh Flor de Liz eu te beijo, eu te abraço no meu colo amavelmente
Nessa noite de lua cheia, cinzenta, enuviada e invernosa... -Não se vá!
Como que uma despedida naquela total dor... Inexoravelmente
Deitados na cama de folha orvalhada os dois corpos nus, um par,
Dormem, dormem... No sonho Morfeu, quase que real, literalmente.

E o real foi surgindo novamente para afastar de uma vez a morte, 
Morte que foi derrotada pela vitória do amor, da vida extrapolada,
Metamorfoseada, ressuscitou sua amada num lapso de sorte,
Os dois saíram das matas, dos parreirais inebriantes, ela obnubilada,  
Ele esperançoso, ambos retornam desse sono-sonho muito forte.

E os dois acordaram do profundo sono, é a realidade concreta.
Os dois se olham, se abraçam no leito do seu quarto, já matutino,
Confraternizam a realidade de suas vidas verdadeiras e discreta.
Novamente olham-se, enquadrando um olhar profundo de tino,
Ambos se amam se entrelaçam espiritualmente, - é a vida correta -. 







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Zé Dos Santos um herói da RFFESA
O “homem de ferro” literalmente é o que podemos definir sobre o Senhor José Ferreira dos Santos, (Zé dos Santos), que praticamente, nasceu, cresceu e ainda vive dentro dos seus 103 anos de idade (Um homem centenário) no âmago da RFFESA. E, podemos, até dizer, que: Dentro do seu sangue corre os trilhos do trem que sempre chegava ao seu horário na estação de Camocim. Uma figura enigmática por conseguir congregar em torno de si toda uma família de verdadeiros vencedores. Agora, eles venceram por causa da dureza e firmeza dos propósitos desse nosso herói camocinense. Zé dos Santos, quando criança, precisamente aos seis meses fez a sua primeira viagem de trem acompanhado do seu pai, Antônio dos Santos que não podia parar de trabalhar, pois, estava a serviço, deixou aos cuidados de uma Senhora, o mesmo. Um tempo memorável, onde as estradas de ferro cresciam vertiginosamente, com o apoio da nova república, claro, o nosso digníssimo Zé dos Santos já estava adolescente e o que é melhor, o pai pôde lhe dar um emprego numa época de dureza, na própria estrada de ferro. E, acredite, nosso herói começou a trabalhar aos dezesseis anos, gratuitamente, sem receber nenhum centavo por mais de um ano. Depois, ele conseguiu engajar verdadeiramente como um ferroviário. Recebendo o seu primeiro salário. Acendeu, fazendo concursos internos e casou-se ainda novo, tendo quatro rebentos. Porém, a vida tem os seus reveses, Deus lhe tirou a bem-amada. Ele teve o ônus de cuidar de quatro crianças sozinho. No caso, eles são: Efigênia, Fátima, José Sarto e Francisca. Depois de namorar algumas pretendentes ele se enamorou com a futura Senhora Santos, Margarida, era o seu nome, o seu grande amor. Evidente, que estamos escrevendo sobre um homem viril e, portanto, com a Senhora Margarida, teve sete filhos. Tadeu, Avelar, Augusto, Rosa, Vicente, Minerva e Ângelo Roncali. Todos foram educados dentro de um padrão rígido, militarista, porque Zé dos Santos gostava da retidão, do patriotismo, da honestidade, do pudor e temor a Deus. É tanto que, três filhos seus são, oficiais militares. O grande Coronel dos Bombeiros do Estado do Ceará, José Sarto, o Augusto, oficial da aeronáutica, Vicente, oficial da polícia militar do Ceará. Todos se formaram e são cidadãos exemplares, engenheiro, geógrafo, biólogo, médico, advogado e professores. Entretanto, um homem tem suas fraquezas, tem suas distrações, seus apuros, seus medos e como não poderia dizer: Seus momentos de heroísmo. E Camocim era nessa época chamada de a Veneza do Ceará porque tinha um balaústre lindíssimo que protegia a cidade das ondas do mar, havia ares de “belle époque”, a la França, com a mais completa e bonita estação de trem do Nordeste. E, que, foi inaugurada na época do imperador D. Pedro II. Após, veio, também, a aviação da Panair do Brasil com seus grandes aviões Catalinas que aterrizavam nas águas do rio Coreaú. Foi o auge de uma cidade que dava indicações de grande progresso. E o nosso querido Zé dos Santos gostava de jogar uma sinuquinha no Bar do Dedim ali em frente à praça da estação, bebia uma aguardente branquinha, enquanto jogava conversa fora com os velhos amigos como Agnelo Campos, Valmir Pinto e o Dourado. No Camocim Clube, com o Fernando Trevia, diretor do mesmo, bebia umas e outras para depois voltar pra casa beijar a mulher e as crianças, tomar um banho e ir criteriosamente à missa todos os dias no cair da noite. Tinha estimada amizade com o Artur Queiroz, pois passava horas jogando sinuca apostada e ouvindo na velha radiola, Vicente Celestino, Anísio Silva e Nélson Gonçalves. Tinha os seus critérios relativos à política, gostava dos “camisas verdes” (Integralistas) e geralmente, ia para a casa da Senhora Sinhá Trévia escutar no rádio da mesma, os discursos de Plínio Salgado. Em tempos vagos, como férias, licença prêmio e ou licença por doença ele tirava um bom tempo para estudar e ler bons livros. Era conhecido pelo vasto conhecimento, (autodidata), por isso, exercia uma liderança junto aos ferroviários de Camocim. Na época das políticas, não pendia nem para um lado, e não pendia, nem para o outro. Gostava de dizer que: “Não puxo o saco de ninguém, e não preciso pedir nada a ninguém”. Conta-se que houve um grande ato heróico realizado por Zé dos Santos, na sua juventude enquanto trabalhava nos vagões entre as cidades de Sobral e Camocim, houve um descarrilamento e muitos passageiros e companheiros ferroviários ficaram presos nas ferragens. Quando o socorro chegou o próprio disse: Salvem todos eles e me deixem por último. E assim, aconteceu. Esta é uma crônica de um homem que viveu o seu tempo e soube tirar o melhor de todos os momentos. Por isso, Deus lhe concedeu um tempo centenário como testemunho de que, a honestidade e a retidão dos valores humanos, e patrióticos, valem à pena.
Ricardo Narciso da Rocha






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REBECA E O VENTO
Ricardo Narciso da Rocha

O tempo escurecido espalha um vento lúgrube,
Vento forte e frio, e poeirento rebate nas folhas, um farfalhar...
E os varais no quintal com os trapos, a chuva a molhar...
Não só as roupas, mas os sonhos de aquarela cor,
Da menina Rebeca que é uma linda boneca na choupana d'amor.
-Ah menina linda, loira dos olhos vivos, claros e azuis-
Ver o tempo passar na sua cadeira de balançar...
E, naquele momento, surge um vislumbrar 
De novos dias, novas esperanças da menina boneca, bela...
Anda e se debruça no peitoral marmoreado da janela,
Aflita naquele já sereno fino, frio de mormaço 
A espera do pai, e mãe que labutam na agricultura,
Ao avistar os seus, e aquelas boas, amáveis criaturas...
Rebeca vibra e grita dentro do seu bom coração.
-Graças a meu bom Deus meus pais já trazem o "pão"-,
Ela se agita olhando o pai já tirando à agulha da porteira,
Tangendo seus burricos, no caminho, cheios de espinheiras,
Rebeca corre, e tira da porta a tranca, abrindo à fechadura.
E o pai já sobe às escadas e tocando nas mãos bonitas e puras
Daquela filha única, expressão maior de seu grande amor.
Abraça-a, um abraço que a rega, a nutre, sua pequena flor.
28/07/2017
















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